Precisamos de internet do futuro?

“A pilha de protocolos atual, rigidamente estabelecida e imutável, é substituída pela composição dinâmica de protocolos implementados como serviços”

Por Rodrigo Righi, professor do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada da Unisinos

O protocolo IP e vários outros relacionados a ele estão praticamente inalterados desde a década de 1970 e têm vários aspectos obsoletos. Eles foram projetados em uma época em que as capacidades de armazenamento e comunicações eram muito inferiores às atuais. Por exemplo, nessa arquitetura é muito difícil descobrir o que ou quem está te atacando. Os endereços dos computadores mudam o tempo todo e a forma como são atribuídos é facilmente corrompível.

Diferentemente de 40 anos atrás, a maioria das máquinas, hoje, é móvel. Assim, quando movemos nossas máquinas, elas mudam de endereço, e isso causa a perda de conexão entre os programas de computador. A internet, mesmo com o IPv6, carece de transparência. Muitas iniciativas para reprojetar a internet apareceram sob a bandeira de “internet do futuro”.

No Brasil, as pesquisas em internet do futuro se iniciaram em 2008, no Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações), sob o comando de Antônio Alberti. Antônio, juntamente com seu grupo de pesquisa e parceiros, que incluem a Unisinos e universidades coreanas, propôs uma arquitetura chamada Nova Genesis. A pilha de protocolos atual, rigidamente estabelecida e imutável, é substituída pela composição dinâmica de protocolos implementados como serviços. Toda a troca de informação é rastreável para quem está autorizado a ver. Os contratos entre serviços criam redes de confiança e há suporte para a internet de coisas e redes definidas por software através de uma arquitetura auto-organizável.

Outro aspecto é conectar os nomes para criar uma gigantesca rede de relacionamentos de todas as coisas, definindo, por exemplo, características como autoria e propriedade. Serviços e aplicativos só vão assinar aquilo que as pessoas querem, de acordo com a política instruída para a rede, acabando com o spam. A temática de internet do futuro, juntamente com outras, como internet das coisas, blockchain e cidades inteligentes, será abordada no 7° Fórum Internacional Brasil-Coreia, que ocorre na Unisinos, de 22 a 24 de agosto. Mais detalhes e inscrições gratuitas no site: unisinos.br/brasil-coreia

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